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Eduardo Gomes de Andrade

Região diferenciada. Boa no hoje e que se prepara para o amanhã. Assim é o polo de Rondonópolis, ancorado na cidade que lhe empresta o nome, que por sua vez reverencia a memória do herói nacional Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

Silencioso e calmo o rio Vermelho passa ficando rumo ao Pantanal. No começo do século passado, em suas margens surgiu um vilarejo numa região que era um ermo no vazio demográfico mato-grossense. Alguns pecuaristas e agricultores desbravavam o cerrado enquanto a povoação recebia um ou outro aventureiro ou família em busca de chão pra plantar e viver em paz. Os anos se passaram. Os carros entraram em cena. O lugar virou passagem obrigatória no vaivém entre Cuiabá e Campo Grande ou Goiânia. Ao lado da balsa que fazia a travessia do rio calmo, uma estação telegráfica construída pelo Marechal Rondon garantia a comunicação ao viajante pra informar sua localização.

As portas foram se abrindo. Uma farmácia ali, uma venda aqui, uma pensão acolá, um cabaré mais além, uma ferraria com bom ferreiro, um mecânico quebra-galho, uma professorinha carinhosa, um alfaiate mestre no corte, um pedreiro esperto, um carroceiro com burro manso, um boteco com pinga da boa, uma mulher namoradeira, uma velhinha benzedeira, um pistoleiro sem alma, um padeiro com seu cilindro barulhento, um telegrafista discreto, um farmacêutico que acertava na mosca, um mineiro desconfiado, um baiano místico, um gaúcho falante, uma goiana irresistível, uma paulista trabalhadora, um carioca desbocado, um garimpeiro sonhador, um corretor danado, um chofer de praça estranho, um ‘turco’ bom de lábia, um bêbado engraçado, um peão de boiadeiro, um japonês calado, uma morena arrasadora, um padre pra missa domingueira, um pai de santo pro descarrego, um político falante, um soldado bravo, um motorista craque no volante, um pastor com sua inseparável Bíblia, um sexofone na noite, um bancário desconfiado, um radialista corajoso, um topógrafo esperto, um garçom indiscreto, um trapaceiro jogador de baralho, um churrasqueiro tarimbado, uma médica humanitária, um poeta delirante…

Quando se notou eram muitos, centenas, milhares. Os pioneiros viram seus filhos rondonopolitanos se casando; seus netos, bisnetos e tetranetos nascendo. Não, o lugar não era mais um vilarejo. Rondonópolis ganhou ares de metrópole regional emergente, com 232 mil habitantes que se somados aos que vivem em seu polo vira uma população com 494.852 cidadãos dispersos numa área com 103.155,765 km² do tamanho de Sergipe, Alagoas e Piauí, juntos, e com uma boa renda per capita de R$ 45.189,62.

Que área é essa e quem a compõe. É uma faixa que se limita com Mato Grosso do Sul e Goiás, formada por Alto Taquari, Alto Araguaia, Alto Garças, Araguainha, Itiquira, Pedra Preta, Rondonópolis, São José do Povo, Guiratinga, Tesouro, Poxoréu, Juscimeira, São Pedro da Cipa, Dom Aquino, Jaciara, Primavera do Leste, Santo Antônio do Leste, Paranatinga e Gaúcha do Norte. Não se trata de uma região geográfica oficial, mas de um conjunto de municípios que por várias razões convergem para o polo de Rondonópolis.

ega 1Esse polo é um grande estado num estado grande. Sua estrutura é de encher os olhos. Sua economia é superlativa. Produz commodities agrícolas em escala, alcança extraordinária produtividade, tem grande rebanho bovino; é polo mineral para extração de ouro, diamante e manganês; tem calcário e conta com belos roteiros turísticos e águas termais; seu setor agroindustrial é diversificado e dá show no esmagamento de soja; seu principal aeroporto opera jatos comerciais; sua malha rodoviária é a melhor de Mato Grosso; suas cidades são novas; de quebra tem uma ferrovia pra chamar de sua; e seu povo tem perfil trabalhador.

O polo tem problemas agrários pontuais, algumas cidades são carentes de saneamento, a violência é a mesma no Brasil inteiro, a saúde pública é tão precária como nas demais regiões mato-grossenses. Entre o céu e o inferno e os altos e baixos surge um importante aliado positivo: a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).

Fica o convite pra que leiam o conteúdo deste capítulo que é o primeiro de cinco sobre as regiões mato-grossenses. Mergulhem nos textos, que em muitos casos se completam mesmo com títulos e editorias diferentes.

Agradeço os que colaboraram com esta edição e, de modo especial aos cinco articulistas que escreveram artigos, postados sem prevalência, observada a ordem de recebimento dos mesmos. São eles: Gaudêncio Filho Rosa de Amorim – Poeta, escritor e compositor; Maria José das Graças Azevedo – Professora e ex-prefeita de Araguainha; Ricardo Tomczyk – Advogado, produtor rural e executivo de Relações Institucionais da Amaggi; Hermélio Silva – Formado em Marketing, escritor com 24 livros publicados; e Dr. Paulo Augusto Mario Isaac – Professor aposentado da UFMT.

O texto é abrangente e passeia pelo polo de Rondonópolis, mas mesmo com essa abrangência cabe ao seu autor um pedido de desculpa e uma justificativa. Muitos grandes vultos da região não foram citados, e isso exige mea culpa, mas todos os citados merecem ocupar espaço quando se escreve a história rondonopolitana e de sua abrangência territorial, que também pode ser chamada de melhor região do mundo.

Muito obrigado e boa leitura.

Eduardo Gomes de Andrade – Editor de Boamidia

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INFOGRAFIA: Edson Xavier

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