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Abertura nacional da colheita do milho em Querência une alerta sobre queda de safra e cobrança por força política

Com projeção de 53 milhões de toneladas em Mato Grosso, produtores na Estância VN apontam custos elevados e criticam a falta de parlamentares que compreendam as demandas do campo.
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A largada oficial da colheita nacional do milho segunda safra ocorreu nesta quarta-feira (3) na Estância VN, em Querência (MT), consolidando o município mato-grossense como o atual centro do debate agrícola do país. O evento, que marcou o início da operação das colheitadeiras, evidenciou um cenário de alerta para o setor produtivo: a expectativa de retração no volume da colheita estadual dividiu espaço com a pressão imediata por maior representatividade do agronegócio no Congresso Nacional, visando destravar gargalos financeiros.

A projeção para a atual safrinha em Mato Grosso é de 53 milhões de toneladas, um recuo em relação aos 55 milhões registrados no ciclo anterior. Apesar do estado se manter como o maior produtor do grão no Brasil, a atividade enfrenta um desequilíbrio estrutural. Os agricultores operam com margens de lucro cada vez mais estreitas, pressionados pela alta nos custos dos insumos, pelos preços de venda e pela dificuldade de acesso a linhas de crédito. O cenário financeiro desafiador contrasta com a força produtiva de Querência, que registrou o maior crescimento econômico de Mato Grosso e o sexto maior do Brasil nos últimos oito anos, alavancada pelo domínio tecnológico e pela expansão das lavouras de segunda safra.

Diante desse peso econômico — ilustrado no evento pela constatação de que Mato Grosso, se fosse um país independente, superaria a produção total de grãos da Argentina —, as lideranças presentes transformaram a abertura em um ato de cobrança por influência legislativa. O foco das críticas foi o comportamento do próprio eleitorado rural. Houve um apelo direto para que os produtores parem de direcionar votos a candidatos de setores alheios à produção, como agentes de segurança pública, que frequentemente desconhecem a dinâmica técnica dos custos de irrigação, maquinário e tributação rural.

O encontro sinalizou que a sustentabilidade da atividade agrícola no estado dependerá de uma dupla frente de atuação. No âmbito financeiro, a prioridade passa a ser a busca urgente por novas alternativas de escoamento no mercado externo e a formulação de políticas de subsídio mais eficientes. No aspecto institucional, o agronegócio do Vale do Araguaia inicia um movimento de organização política visando as próximas eleições, com o objetivo de traduzir a liderança global em produção de alimentos em cadeiras ativas e influentes nas decisões tomadas em Brasília.

Com informações do site Canal Rural.

 

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