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Especialista analisa impactos da geopolítica global no agronegócio durante etapa do Circuito Aprosoja em Querência

Cientista político debate a oscilação de insumos e a dependência de exportações, propondo a industrialização para mitigar riscos econômicos no setor primário.
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O cientista político e Professor Hoc ministrou uma exposição sobre geopolítica nesta quarta-feira, 17 de junho, no CTG Pousada do Sul, em Querência (MT). A agenda presencial integrou a programação oficial do 20º Circuito Aprosoja e teve como escopo central analisar de que maneira a instabilidade global afeta diretamente a macroeconomia e o planejamento estratégico do agronegócio brasileiro.

Durante o painel, o palestrante expôs que variáveis internacionais, a exemplo de tensões no Oriente Médio e disputas tarifárias entre Estados Unidos e China, interferem materialmente na formulação de preços no mercado interno brasileiro. Segundo a análise apresentada, tais eventos geopolíticos justificam a flutuação cambial do dólar e o encarecimento de insumos agropecuários essenciais, como fertilizantes e combustíveis, os quais são afetados por restrições em rotas marítimas estratégicas, como o Estreito de Hormuz. O especialista pontuou ainda que a retaliação comercial chinesa aos produtos estadunidenses resultou em um redirecionamento e aumento na aquisição de soja brasileira, gerando benefícios imediatos de mercado, mas estabelecendo simultaneamente um quadro de vulnerabilidade estrutural e comercial no longo prazo.

A tese exposta pelo pesquisador aponta que o Brasil e o estado de Mato Grosso apresentam um déficit de comportamento geopolítico estratégico, incompatível com o alto volume de alimentos que produzem para o mercado externo. A concentração massiva das exportações em um número reduzido de países compradores foi classificada na palestra como um risco sistêmico, sendo equiparada em gravidade à dependência histórica do país por fertilizantes estrangeiros. Como diretrizes técnicas para a mitigação deste cenário, foram recomendadas a prospecção ativa de novos parceiros comerciais, visando evitar o acúmulo de produção e a consequente depreciação de preços, além de uma transição setorial para a industrialização, focada na venda de produtos com maior valor agregado em detrimento da comercialização exclusiva de matéria-prima.

A etapa ocorrida em Querência compôs o itinerário de um circuito contínuo que percorre polos produtivos com o objetivo de aproximar a entidade organizadora dos produtores rurais, coletando anseios e mapeando as demandas técnicas da categoria. O encontro buscou debater soluções estruturais voltadas ao desenvolvimento econômico e à mitigação de crises, abordando de maneira específica o contexto socioeconômico do Vale do Araguaia, região classificada na ocasião como uma nova fronteira agrícola em ascensão.

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