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Aumentam casos de câncer em mulheres jovens - por Giovana Fortunato

Aumentam casos de câncer em mulheres jovens - por Giovana Fortunato

O câncer é uma doença associada ao avanço da idade. A maior parte dos tumores se desenvolve em pessoas acima de 65 anos. Um novo estudo, no entanto, revelou que a doença está aumentando entre pessoas mais novas, sobretudo mulheres. Entre os tumores de maior crescimento estão os gastrointestinais e os de mama.

O número de casos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos aumentou 79% nas últimas três décadas, revela um estudo publicado na revista científica BMJ Oncology. O trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, e da Universidade de Zhejiang, na China, analisou dados de 29 tipos de câncer em 204 países e regiões, incluindo o Brasil.

De acordo com os dados, em 2019 foram registrados um total de 3,26 milhões de novos casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos. Já em 1990, essa taxa estava próxima de 1,8 milhão de casos.

A pesquisa, publicada no periódico Jama Open Network, analisou dados de mais de 500 mil americanos entre 2010 e 2019. Embora o câncer tenha diminuído entre os adultos mais velhos, a doença aumentou ligeiramente entre pessoas com menos de 50 anos em geral.

Os maiores crescimentos foram observados entre indivíduos de 30 a 39 anos, sobretudo mulheres. Os tumores de início precoce mais incidentes em 2019 nos EUA foram mama, tireoide e colorretal. No entanto, os maiores aumentos foram nos cânceres de apêndice (252%), vias biliares (142%) e útero (76%).

O estudo aponta que o aumento da doença em jovens está provavelmente associado ao estilo de vida. Os fatores reúnem obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, sono irregular, alteração na microbiota e exposição a compostos cancerígenos.

As  pessoas costumam atribuir o câncer à genética, mas a hereditariedade impacta menos de 10% de todos os casos. Na maioria das vezes, a gente está falando de outras causas, principalmente as ambientais e o estilo de vida.


Fora isso, os fatores genéticos provavelmente desempenham um papel nesse aumento, mas na pesquisa os autores enfatizam um ponto ainda mais importante: dietas ricas em carne vermelha e sal, com baixa ingestão de frutas e leite também são um indicativo de risco.

E as taxas mais altas de câncer de início precoce em 2019 foram observadas na América do Norte, Australásia e Europa Ocidental. No entanto, países de baixa a média renda também foram afetados, com as maiores taxas de morte entre os menores de 50 anos na Oceania, Europa Oriental e Ásia Central.

Além disso, em países de baixa a média renda, o câncer de início precoce teve um impacto muito maior nas mulheres do que nos homens, tanto em termos de mortes quanto de consequências para a saúde.

Por isso, com base nas tendências observadas nas últimas três décadas, os pesquisadores estimam ainda que o número global de novos casos de câncer de início precoce e as mortes associadas aumentarão em mais 31% e 21%, respectivamente, até 2030, com pessoas na faixa dos 40 anos sendo as mais afetadas.

Além disso, áreas emergentes de pesquisa, como o uso de antibióticos, o estudo do microbioma intestinal, a análise da poluição do ar ao ar livre e a investigação sobre exposições precoces ao ambiente, 
estão sendo exploradas.

Embora a prevenção total do câncer seja complexa, a adoção de um estilo de vida pode ajudar a reduzir o risco. Além disso, rastreamentos regulares são fundamentais para a detecção precoce da doença.
Entidades médicas como a Febrasgo, a Sociedade Brasileira de Mastologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia, indicam que a mamografia deve ser feita a partir dos 40 anos de idade, uma vez ao ano. A Sociedade Americana do Câncer, por sua vez, recomenda que o rastreamento comece dos 45 anos em diante.

Por isso, os especialistas ressaltam que são “urgentemente necessárias” medidas de prevenção e detecção precoce, juntamente com a identificação de estratégias de tratamento ideais para cânceres de início precoce, que devem adotar uma abordagem completa, levando em consideração as necessidades específicas de suporte e cuidados dos pacientes mais jovens.
Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do HUJM e especialista em endometriose e infertilidade no Instituto Eladium, em Cuiabá (MT).

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